No meio da rua
Um louco delira frases patéticas
Fala de um amor que partiu
Sem nenhuma explicação
Fala de um mundo só seu
E que só ele entende
Pessoas passam sem ouví-lo
Outras sorriem com desprezo
E eu paro para ouvir aquele canto louco
Um pouco intimista, narcisista
De uma pessoa que trombou com a vida
E se machucou, perdeu a memória e pirou
Os ônibus passam lotados
Táxis, motos, ambulância e um carro de bombeiro
O louco poeta continua a recitar sua agonia
Sem perceber a velocidade do dia
Que acaba de nascer
Numa padaria ao lado, pessoas discutem
Futebol e política
Falam do presidente, corrupção, seleção
E falam também do Corinthians
Sempre o grande timão
Eu engulo um café bem preto e sigo
Sem jeito, sem meta e sem pressa
Muito parecido com aquele louco poeta...
(Antonio Elias)
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