O Dono da Bola
Das boas lembranças de minha infância, relembro com enlevo as peladas, jogadas com os amigos ou apenas conhecidos da redondeza. Tínhamos um pequeno campo, meio grama, meio terra, com as traves feitas de pedras. Era só ouvir a batida de uma bola que lá estava, reunida, a gurizada. Sempre havia os que ficavam só olhando por não terem espaço nos times ou por chegarem atrasados.
Um objeto de desejo de toda a criança daquela época era uma bola de couro. Se fosse oficial, então, era a glória! A bola dava o poder de ser titular independente de suas habilidades no jogo.
Cresci e fui para as corporações, onde mudou o jogo, mas ainda persistem líderes impondo suas posições, sendo os donos da organização por terem seus cargos disponibilizados e avalizados por outros. Sua liderança acaba sendo imposta e não conquistada e quando chega alguém com outro poder, considerado melhor, a opção é o descarte imediato.
Também identifico nas corporações um poder que depende muito das circunstâncias. Ora são os conhecimentos, ora são as informações, ora são os recursos financeiros, entre outras possibilidades. É possível jogar com todos estes poderes juntos, porém, deve-se saber jogar, para que, no devido momento, evidenciem-se pessoas ou comportamentos de liderança adequados. Isto é a chamada liderança situacional e tem sido muito valorizada, pois consegue dar espaço à participação de todos.
Fica o alerta: Precisamos tomar cuidado com a arrogância a fim de que não nos achemos o dono da bola. Logo, outro craque aparece e novos donos da bola também vêm à tona. Saibamos identificar o momento de entrar e sair de cena, humildemente, pois esta é uma das características essenciais dos grandes líderes.
Fonte: Jeferson Emilio de Souza - jefersonemilio@brturbo.com.br
Nenhum comentário:
Postar um comentário